domingo, 9 de novembro de 2014

ATUALIDADES

Aécio diz que PSDB 'não pactua' com acordo na CPI da Petrobras

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), divulgou nota nesta quinta-feira (6) para negar que seu partido tenha feito “qualquer tipo de acordo que impeça o avanço das investigações” da CPI mista destinada a apurar denúncias de corrupção na Petrobras (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem)Na sessão desta quarta-feira (5) da CPI, líderes partidários anunciaram acordo para não convocar políticos citados pelos delatores da Operação Lava Jato (o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa). O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), disse que os líderes decidiram evitar a convocação de políticos por causa do prazo “exíguo” da CPI mista. Os trabalhos da comissão têm duração prevista até 23 de novembro, mas deverão  ser prorrogados até 22 de dezembro.
Pelo acordo, dos 497 requerimentos em pauta, somente foram apreciados na reunião desta quarta-feira convites e convocações que não enfrentariam resistência por parte de nenhum partido.
 Com isso, não foram colocados em votação requerimentos que convidavam para prestar depoimentos a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros que pediam a convocação dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Comunicações); do ex-ministro Antonio Palocci; dos senadores Aécio Neves (PSDB), Álvaro Dias (PSDB) e Gleisi Hoffmann (PT); e dos tesoureiros do PSDB Rodrigo de Castro e José Gregori, e do PT, João Vaccari Neto..
Na nota, Aécio Neves – que não é integrante da CPI mista – afirmou que o PSDB “não pactua com qualquer tipo de acordo que impeça o avanço das investigações da CPMI da Petrobras”.
Lutamos pela instalação da CPMI. Temos de ir a fundo na apuração do chamado 'Petrolão' e na responsabilização de todos que cometeram eventuais crimes, independentemente da filiação partidária”, afirmou Aécio, derrotado no segundo turno da eleição presidencial.
Por meio do microblog Twitter, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmou que foi o PSDB quem “denunciou essa roubalheira” e negou ter firmado “acordo”. A investigação dos políticos, segundo o parlamentar, depende do envio, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do conteúdo dos depoimentos prestados por Costa e Youssef em acordo de delação premiada.
O que ocorreu, na reunião da CPMI de ontem, foi a definição de que, como só restam 30 dias para a finalização dos trabalhos, deveríamos prioarizr a investigação sobre as empreiteiras e os outros diretores da Petrobras envolvidos no esquema de corrupção”, disse. “Quanto aos políticos, infelizmente nada podemos fazer neste momento, pois estamos no aguardo do envio, pelo STF, dos nomes daqueles que já foram denunciados na delação premiada”, afirmou Sampaio pelo Twitter.
Ao abrir a reunião desta quarta-feira, o presidente da CPI mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), parabenizou os líderes pelo “entendimento” alcançado em torno dos 497 requerimentos que estavam em pauta. “Desde a semana passada, tentamos alinhavar um entendimento entre os líderes partidários, reconhecendo o volume e a importância dos quase 500 requerimentos a serem deliberados”, afirmou Vital diante da comissão.
Em seguida, o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), anunciou o “acordo”. “Nós fizemos ali uma exaustiva reunião para consolidar um acordo em torno dos requerimentos, cuja votação nós produziríamos no dia de hoje, e também uma proposta de cronograma das oitivas daqui até o final desta CPMI”, afirmou o deputado, na presença das lideranças da CPI. Na próxima terça-feira (11) a CPI deverá votar os requerimentos que pedem a convocação do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e do presidente licenciado da Transpetro Sérgio Machado. Ambos tiveram os nomes envolvido das denúncias
REFERÊNCIA-http://g1.globo.com/politica/

Atualidades Fundamentalistas querem interferência dos EUA nos rumos políticos do Brasil

1964 ou 2014? Brasileiros criam petição no site da Casa Branca e pedem “ajuda” a Barack Obama para que se evite a “expansão comunista bolivariana no Brasil”

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Opositores querem intervenção dos EUA no que chamam de “expansão comunista no Brasil” (Imagem: Pragmatismo Político)
Opositores ao governo Dilma Rousseff (PT) resolveram reportar o desapontamento acerca da reeleição da petista à Presidência dos Estados Unidos. Em 28 de outubro, apenas dois dias após Dilma derrotar Aécio Neves (PSDB) nas urnas, uma petição foi criada no portal We The People, da Casa Branca, com a intenção de arrancar de Barack Obama uma posição contra a “expansão comunista e bolivariana no Brasil, promovido pela administração de Dilma Rousseff”.
“Dilma Rousseff foi reeleita e continuará o plano de seu partido para estabelecer um regime comunista no Brasil – aos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo”, diz a petição, citando a organização que, há décadas, discute uma melhor interação entre os países da América Latina, com forte discurso contrário ao imperialismo estadunidense e ao intervencionismo.

“Sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi plenamente democrática, mas as urnas utilizadas não são de confiança, além do fato de os chefes do Poder Judiciário serem na sua maioria membros do partido vencedor. As políticas sociais também influenciaram a escolha do presidente, e as pessoas foram ameaçadas de perder o seu subsídio de alimentação se não reelegessem Dilma”, continua.
“Clamamos por uma posição da Casa Branca em relação à expansão comunista na América Latina. O Brasil não quer e não vai ser uma nova Venezuela, e os EUA precisam ajudar, como promotores da democracia e da liberdade no Brasil”, completa.
No início desta terça-feira (4), a petição já havia angariado 100 mil assinaturas. De acordo com as regras do portal We The People, “se uma petição recebe apoio suficiente, um funcionário da Casa Branca irá analisá-la e certificar-se de que será enviada para os especialistas em políticas públicas apropriados, e emitir uma resposta oficial.” No caso, isso pode acontecer quando o documento ultrapassa as 100 mil assinaturas.
Mas ainda é possível que a petição feita contra o governo Dilma não seja atendida por ferir a política de uso da plataforma. Consta no We The People que o criador da petição se compromete em não criar um documento com propostas ou solicitações que “pedem expressamente o apoio ou a oposição de candidatos a cargos eletivos, petições que não fazer abordar as ações ou políticas do governo federal atual ou potencial, ou petições que tratam de um tema não incluído em nós, o povo , no momento a petição foi criada.”

Manifestações aleatórias

O We The People foi criado durante a gestão Obama, para que os estadunidenses possam enviar diretamente suas demandas e pautas de interesse nacional ao presidente. Apesar disso, o canal acabou virando alvo de manifestações que fogem à competência da Casa Branca.
Em abril deste ano, o governo Obama se viu obrigado a responder a uma petição que atingiu mais de 275 mil assinaturas, solicitando que o músico canadense Justin Bieber fosse deportado por exercer má influência sobre a juventude. Em janeiro do ano anterior, a Casa Branca também teve de rebater umapetição que solicitava a construção de uma Estrela da Morte nos moldes do clássico “Guerra nas Estrelas”. Nas duas situações, o governo Obama saiu pela tangente.

Intervenção e impeachment

Desde que Dilma foi reeleita, algumas manifestações de direita eclodiram nas ruas, com pedidos de impeachment da presidente ou a intervenção militar. Especialistas criticam a postura do PSDB, partido que lidera a oposição, por não ter se posicionado veementemente contrário a esse tipo de protesto. De quebra, a legenda ainda pediu a recontagem de votos ao Tribunal Superior Eleitoral, com base na preocupação de parte da sociedade brasileira quanto à possibilidade de fraude nas urnas
Atualidades

Ato pede impeachment de Dilma em Porto Alegre

Manifestantes estavam com adesivos do candidato derrotado Aécio Neves
Manifestantes participaram de ato público pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, na tarde de sábado, no Parcão, em Porto Alegre. O protesto fazia parte de evento nacional que também pede o fechamento do PT, a prisão dos envolvidos no escândalo da Petrobras e a responsabilização presidente da Corte Eleitoral, ministro Dias Toffoli, pela suposta fraude nas eleições. Após a concentração no bairro Moinhos de Vento, os manifestantes saíram em marcha pelas ruas da Capital. 

Muitos integrantes estavam com adesivos do candidato derrotado nas últimas eleições, Aécio Neves, e vestiam camisas da Seleção Brasileira. Uma das manifestantes foi a filha da ex-governadora Yeda Crusius, Tarsila Crusius, que afirmou ser o Bolsa Família uma forma de o PT usar os beneficiários como massa de manobra.

A aposentada Yolka Teixeira, de 67 anos, participava do evento carregando um cartaz contra Dias Toffoli. “Estou cansada de sustentar os 50% dos preguiçosos que não trabalham. Busco um futuro melhor para a juventude do Brasil”, comentou. O dentista Carlos Soletti, de 49 anos, também segurava um cartaz, este contra a lei 8.243, que instaura a Política Nacional de Participação Social (PNPS). “Eu acho que está demais a corrupção. Não estamos vivendo em um estado democrático de direito. Por muito menos, tiramos um presidente”, declarou.

O administrador de empresas Glauco Fonseca, de 52 anos, vaiou um professor que pedia intervenção militar, destituição da presidente Dilma e novas eleições em 60 dias. “Existe uma insatisfação da sociedade com os rumos que a história está tomando. Nestas eleições houve fatores adicionais, como o uso do Bolsa Família e as denúncias de fraude eleitorais. Mas isso não condiz com intervenção militar. O impeachment é um processo democrático e não um golpe militar”, completou.



Artes _

Sesc Taubaté realiza oficina sobre câmera escura neste sábado

Oficina está na programação da Exposição Genesis, de Sebastião Salgado.
Atividade acontece às 15h, com entrada gratuita; exposição vai até 02/11.

Do G1 Vale do Paraíba e Região
O fotógrafo Sebastião Salgado apresenta as 245 fotos que compõem sua exposição 'Gênesis' no Museu do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. As imagens feitas ao longo de 8 anos de viagens poderão ser vistas pelo público no local de 29 de maio a 26 de agosto. (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)Oficina de Câmara Escura faz parte da exposição Genesis, de Sebastião Salgado (Yasuyoshi Chiba/AFP)

 O Sesc Taubaté cpromove uma atividade para interessados em fotografia e artes visuais sobre os mecanismos de projeção de uma câmera obscura. A experiência acontece na Oficina de Câmera Escura (Imagem Invertida) na tarde deste sábado (18), a partir das 15h. A unidade recebe os trabalhos do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que podem ser vistos na exposição Genesis, que segue até o dia 2 de novembro.
Na oficina de caixa de luz , o participante é levado à uma reflexão sobre o mundo da imagem contando com dinâmicas sensoriais e a construção de uma "câmera" artesanal. Interessados devem se inscrever na Central de Atendimento do Sesc. A entrada é gratuita.
A oficina será ministrada pela educadora Carolina Zoli, graduada em Artes Visuais pela Unesp-Bauru, especialista em Linguagens da Arte pelo Centro Maria Antonia USP-SP, que já atuou como professora no curso técnico de Fotografia e Design Gráfico no Centro Paula Souza.
O Sesc Taubaté fica na Avenida Milton de Alvarenga Peixoto, 1264, no Esplanada Santa Terezinha. Mais informações pelo telefone: (12) 3634-4000 ou por meio do site.
http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2014/10/sesc-taubate-realiza-oficina-sobre-camera-escura-neste-sabado.html

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

                     Cao Guimarães                            (cineasta)

Cao Guimarães, cineasta e artista plástico, nasceu em 1965 em Belo Horizonte, onde vive e trabalha. É graduado em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e jornalismo na Pontifícia Universidade Católica - PUC, em Belo Horizonte, de 1983 a 1986. Posteriormente torna-se mestre em estudos fotográficos pela Westminster University, em Londres. Antes dedicado à fotografia, a partir dos anos 1990  produz vídeo, videoinstalações e filmes.
Em 1993, recebe o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Fundação Nacional de Arte, para desenvolvimento do ensaio fotográfico Ex-Votos, com Rivane Neuenschwander . Em 1997, participa de curso sobre cinema experimental em The National Film-Makers Cooperation, em Londres. No fim da década de 1990, passa a realizar principalmente documentários experimentais. Como cineasta e videomaker dirige os filmes Otto,Eu Sou Um Outro (1998); The Eye Land, (1999);Sopro (2000); Hypnosis (2001); Word/World (2001); Fim do Sem Fim (2001); Volta ao Mundo em Algumas Páginas (2002); A Alma do Osso (2004); Rua de Mão Dupla (2004);Da Janela do Meu Quarto (2005); Concerto para Clorofila (2005); entre outros.
Desde o fim dos anos 1980, exibe seus trabalhos em museus e galerias como Tate Modern, Guggenheim Museum, Museum of Modern Art NY, Gasworks, Frankfurten Kunstverein, Studio Guenzano, Galeria La Caja Negra e Galeria Nara Roesler. Participou de bienais como a XXV e XXVII Bienal Internacional de São Paulo e Insite Biennial 2005 (San Diego/Tijuana). Alguns de seus trabalhos foram adquiridos por coleções como Fondation Cartier Pour L’art Contemporain, Tate Modern, Walker Art Center, Guggenheim Museum, Museu de Arte Moderna de São Paulo, MoMA NY, Instituto Cultural Inhotim, entre outros.
É premiado em festivais de vídeo e de cinema nacionais e internacionais. Publica artigos, críticas de arte e contos em suplementos literários de jornais e revistas.

Referência-  Wikipédia, a enciclopédia livre

O terror das selfies

Eleri _UEmbora possa parecer novidade para alguns, no meio digital esse termo já é comum. De um modo geral não é novo. Segundo consta, o termo foi cunhado e apareceu pela primeira vez em 2002 num congresso na Austrália. Mas se tornou popular recentemente quando virou febre com a também popularização das câmeras e celulares digitais, principalmente nas mídias sociais.
Para esclarecer, é uma espécie de autorretrato fotográfico tirada com uma câmera segura ao comprimento do braço e normalmente incluem apenas o fotógrafo ou o número de pessoas que pode estar em segundo plano (selfie de grupo). Tem também as de espelho, normalmente fazendo pose e beiço.
Embora a maioria faça uma selfie ‘apenas para aparecer’, como dizia meu pai, atualmente, “aparição” quase sempre vem associada à avaliação financeira e quase tudo na atualidade pode ser transformado em moeda, sendo valorada.
Vejamos a selfie mais famosa e valiosa até o momento, protagonizada na 86ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, mais conhecido como Oscar 2014, ocorrido em março deste ano. Na ocasião, a apresentadora principal, Ellen DeGeneres, fez uma selfie com um grupo de vencedores do certame, tendo mais de 2,7 milhões de compartilhamentos.
Tirada por um celular da Samsung, chegou a congestionar o Twitter o que fez com que a ação publicitária fosse avaliada a algo entre 800 milhões a 1 bilhão de dólares.
Desde então virou uma febre sem precedentes na história recente da humanidade. Em qualquer lugar público que se vá, há pessoas fazendo caras e bocas, sozinhos ou acompanhados, e postando na net.
Ocorre que os limites da boa conduta também se quebraram nesse ambiente. Nacionalmente temos pelo menos dois episódios esdrúxulos.
O primeiro é o da morte do então candidato à presidência da república Eduardo Campos. Quando no seu velório foram feitas inúmeras selfies, inclusive e principalmente de pessoas famosas e muitas autoridades, que sem medo do ridículo faziam, ora cara de choro, ora de felicidade. Os motivos de um e de outro é que não se ficou sabendo ao certo.
As mais recentes, deste final de semana, foram as selfies das pessoas votando. Obviamente que está embutido nesse ato o orgulho de votar e devemos mesmo tê-lo, como país democrático que somos. Mas a questão deveria se encerrar aí.
É tão séria esta questão que a Polícia Federal (PF) criou inclusive uma ação específica para conter o crime. É a Operação Selfie na Urna que foi postada no perfil da PF no Instagram, tendo um aviso que selfie em votação é crime e pode render ao incauto pena de dois anos e multa, conforme a Lei 9.054.
Há outro alerta importante a ser considerado. Se nem mesmo os adultos tem noção do nível de exposição que fazem nas selfies e dos perigos que representam esses arroubos fotográficos, o que esperar das crianças e adolescentes, cada vez mais expostos ao ambiente virtual, mas que tem tudo de real.
Já existem até algumas variantes (ou subgêneros, como gostam de falar o pessoal ligado), como “belfie” (selfie do bumbum) e o “helfie”, que é para mostrar um novo corte de cabelo. Cada uma!!!!
As empresas, não diferente do que ocorre no ambiente pessoal também podem ser vítimas de ações incautas de colaboradores se expondo em atitudes inadequadas no ambiente de trabalho ou mesmo expondo processos para concorrentes.
Ou de outro, se bem coordenadas, podem ter grande utilidade como elemento estratégico para melhorar o nível de exposição e visualização das atividades das empresas, bem como de seus clientes, colaboradores e demais stakeholders.
Como elemento de marketing permite a aproximação com o público alvo, faz com os clientes percebam os bastidores da empresa tornando mais humana a percepção ou mesmo clientes fazendo uso dos produtos, materializando a identidade organizacional.
O que não vale em nenhum dos casos, são os exageros, sejam eles nos ambientes pessoais ou profissionais. No ambiente cotidiano ou no espaço reservado, use com parcimônia, como recomenda um comercial de bebidas.

http://www.atribunamt.com.br/2014/10/o-terror-das-selfies/

artes livre

Robert Lepage diverte-se quando é comparado ao cineasta Federico Fellini por sua habilidade em criar ilusionismo com um extravagante senso visual a partir da comunhão entre o hermético e o mundano. "Talvez porque, como ele, sinto que meu trabalho é tão revelador sobre quem sou e o que busco entender sobre mim mesmo."
É justamente isso o motivador do trabalho de Lepage que, por extensão, busca compreender o mundo. Em Espadas, a ação faz um paralelo entre duas cidades construídas no deserto, Las Vegas e Bagdá. A primeira, por conta de sua arquitetura fake, desponta como uma caricatura do mundo ocidental, enquanto Bagdá é a capital bombardeada pelo governo americano em nome da democracia. "É esse jogo de aparências que marca o espetáculo", conta Lepage. "Durante um fim de semana, diversos personagens se refugiam na cidade americana em busca de ilusões, mesmo que outra cidade no outro lado do mundo esteja sendo bombardeada."
Já Copas amarra Argélia, França, a cidade canadense de Quebec e a Primavera Árabe, em dois tempos, 2011 e 1856. Na época mais recente, surge Chaffik, jovem magrebino que trabalha como motorista de táxi no Canadá e que decide investigar sua árvore genealógica para desvendar o mistério do desaparecimento do avô.
Logo, ele descobre uma conexão com o famoso mágico francês Houdini que, em 1856, foi enviado pelo governo do seu país à Argélia, para rivalizar com o poder espiritual e mágico dos marabutos (eremita considerado santo por habitantes da região noroeste da África). "A relação entre eles em pouco tempo torna-se visível, não apenas por questão familiar, mas também por magia, crenças e fé", argumenta Lepage.
As fronteiras do tempo se esfumaçam e a Argélia colonial e suas ruelas se confundem com o mundo dos mágicos franceses (Robert-Houdin, Méliès), e de suas ligações com a ciência e o cinema. "Para esses espetáculos, adoto o formato arena, com o público cercando o palco como em um ringue de boxe", diz o diretor.
"Além de permitir que o espectador se sinta dentro da cena, há uma verticalidade que, metaforicamente, pensemos no céu e no inferno. Também o ator é obrigado a ter um maior domínio de espaço, pois sempre estará cercado de público, e a saber utilizar a voz com precisão."
No comando de um grande número de técnicos e atores, Lepage diverte-se ao se ver no meio de um caos organizado. "Sei que é um paradoxo, mas o caos é o início de tudo", justifica. "Quando começo o processo, não sei para onde vamos, mas sei que será um caminho louco."