quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Diário de uma repórter: Quatro dias de convívio com o ebola/Atualidades

Diário de uma repórter: Quatro dias de convívio com o ebola

  • BBC
    Três meninas conseguiram sobreviver à doença e esperam para voltar para casa
    Três meninas conseguiram sobreviver à doença e esperam para voltar para casa
A repórter da BBC especializada em saúde global Tulip Mazumdar está em Serra Leoa, um dos países mais atingidos pela epidemia de ebola, que já infectou mais de 7 mil pessoas e matou mais de 3,3 mil.

O país, como outros do oeste da África, não conta com uma boa infraestrutura de saúde. Serra Leoa tem uma população de 6 milhões de pessoas, mas apenas 136 médicos, 1.017 enfermeiros e parteiras e 114 farmacêuticos, de acordo com o site do Serviço de Informações sobre Saúde e Desenvolvimento Humano e Social da África.

Leia o relato da jornalista em meio à devastação causada pela doença.

Primeiro dia: Bem-vindos a Freetown

Está muito escuro quando chegamos ao aeroporto de Lunghi, por volta da 1h da manhã, e a chuva é pesada. A viagem de Londres para cá, que antes da epidemia durava seis horas, agora demorou 20 horas. Nenhuma companhia aérea está fazendo voos diretos da Grã-Bretanha para Serra Leoa, então tivemos que parar em Paris e Casablanca.

Na chegada, antes de irmos para o prédio principal do terminal, somos levados para dois contêineres vermelhos, cheios de cloro. Todos, silenciosamente, lavam as mãos antes de entrar. Imediatamente recebemos uma "declaração de saúde", um formulário com perguntas como onde estivemos nas últimas oito semanas, se estamos com febre, diarreia ou vômitos.

Também recebemos um folheto explicando o que é o ebola e como é o contágio. Cartazes semelhantes estão espalhados pelo saguão de chegada.

Passamos pela imigração e, antes de pegar a bagagem, somos parados novamente por homens com luvas e jalecos brancos. Um deles sorri e então colocada um termômetro a poucos centímetros de minha cabeça. "36,5 graus: você pode passar", disse.AmplEnc

Segundo dia: Os coveiros

Hoje estamos filmando no principal hospital de referência do país, o hospital Connaught, no centro de Freetown. Quando entramos, vejo uma mulher deitada em um banco, com a cabeça entre as mãos, ela parece muito mal. Esta área é onde estão os pacientes com sintomas de ebola, mas a ajuda aqui é limitada.

Não é um centro de tratamento, é uma enfermaria de isolamento dentro do hospital. As pessoas viajam muitos quilômetros a partir daqui, de ambulância, para conseguir o tratamento adequado. Existem apenas 18 leitos neste hospital e estão todos lotados.

O último paciente a chegar é um bebê de um mês, cujos pais morreram devido à doença durante a noite. Ele também pode estar infectado e pode morrer em alguns dias. Tudo o que se pode fazer é alimentá-lo e pegá-lo no colo, usando roupas especiais para proteção.

Quando estamos saindo do hospital, um caminhão preto estaciona. Uma equipe chega para retirar dois corpos e sepultá-los no cemitério próximo. Seguimos o carro fúnebre improvisado até o cemitério.
Uma área inteira está isolada e reservada apenas para as vítimas do ebola e casos suspeitos. Entrar aqui é estranho e trágico. Há centenas de sepulturas, a maioria recente, com montes frescos de lama em cima. Uma ou duas têm uma cruz ou brinquedos de crianças. A maioria não tem nada. O que é marcante é a escala: 400 corpos foram sepultados aqui em uma questão de semanas.

A equipe de sepultamento é eficiente e quase jovial. Imagino que seja a única forma para que eles consigam trabalhar com isto todos os dias.

O supervisor do cemitério, Abdul Rahman Parker, conta que foi isolado pela comunidade. As pessoas os temem pois ele lida com os corpos das vítimas do ebola. Mas ele diz que não se importa e que o país precisa que ele continue trabalhando.
O dia termina com as equipes de sepultamento jogando as roupas de proteção na última cova: máscaras, luvas e macacões. Começou a chover de novo. Tiramos nossas roupas de proteção e colocamos em um saco amarelo, especial para conter risco biológico, passamos um spray com desinfetante e voltamos para o hotel.

Terceiro dia: Desespero e esperança

Ficamos sabendo sobre uma pequena organização não governamental italiana chamada Emergency que, recentemente, estabeleceu um novo centro de tratamento nos arredores da capital, então vamos para lá.

Quando estacionamos, vemos várias pessoas parecendo bravas e desesperadas. Mantivemos a distância e perguntamos, aos gritos, o que está acontecendo.

"Meu irmão Francis está doente e eles não o aceitam neste centro. Falam que está lotado. O que devemos fazer? Fomos de hospital em hospital o dia todo e ninguém o aceitou."

Espio dentro do carro, Francis está no banco do passageiro, olhar distante. Os olhos dele estão vermelhos e ele está com sintomas claros do ebola. Depois de quase uma hora tentando, a família desiste. Os cinco voltam para o carro e vão embora. Todos no carro agora correm o risco de contrair a doença.

Quando entramos no centro de tratamento, sinto o desamparo e a frustração que a família deve ter sentido e exijo saber a razão de Francis não ter sido atendido. O coordenador do centro, Luca Rolla, me conta que a prioridade tem que ser os funcionários e os pacientes que eles já estão tratando. Ele disse que eles não podem ir além da capacidade pois arriscariam a segurança dos outros no centro. Um dos médicos já contraiu o vírus e está sendo tratado na Alemanha.

Luca anotou os detalhes da família e, se um leito ficar disponível em qualquer lugar em Freetown ou arredores, ele entrará em contato.

Ele disse que, no momento, o que eles precisam é de mais funcionários de saúde de outros países e treinamento para os funcionários locais. E mais centros de isolamento. Até que isto aconteça, ele afirma que terá que recusar pacientes sabendo muito bem de todos os riscos da volta destes pacientes para suas comunidades, de infectar ainda mais pessoas.

Enquanto filmamos, o telefone de Luca toca, ele atende, sorri e nos chama. Luca recebeu a notícia de que um leito ficou disponível em outro centro para a família que ele acabou de recusar. Ele liga para eles imediatamente e fala para todos irem direto para lá.

Então, vimos outro lampejo de esperança. Três meninas estão sentadas, pacientemente, em bancos, vestindo túnicas da mesma cor. Elas sobreviveram ao ebola e irão para casa.
Quarto dia: Ao vivo, da linha de frente do ebola

Começamos cedo para editar o material que filmamos nos últimos dias.

Montamos as câmeras no topo de nosso hotel para a entrada ao vivo. Tentar fazer um relato ao vivo do lado de fora do hotel é muito mais arriscado devido ao nível de contaminação do ebola no país. Não queremos multidões à nossa volta. Nosso assessor para biossegurança, Mark, checa se o lugar é seguro e então nos estabelecemos.

Os últimos dias foram muito movimentados, mas enquanto me apronto para a primeira transmissão ao vivo, tenho um momento para olhar para trás e apreciar a bela cidade. Vejo colinas cobertas de florestas em volta do Oceano Atlântico. A calma não dura muito tempo, as nuvens aumentam e uma tempestade se aproxima.

Depois de alguns problemas devido à chuva pesada e trovoadas, nosso sinal de satélite volta.

Então, pouco antes das 18h, e antes de mais uma entrada no canal BBC World, Mark chega com péssimas notícias. Francis Samuka, que foi rejeitado no centro de tratamento italiano no dia anterior na nossa frente, morreu.

A família ligou e disse que ele morreu em outro centro de isolamento há algumas horas. A irmã mal conseguia falar quando deu a notícia. Meu coração fica apertado... e então escuto o apresentador no fone de ouvido: "Tulip, quais são as últimas notícias?"
Referência: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2014/10/07/diario-de-uma-reporter-quatro-dias-de-convivio-com-o-ebola.htm

Eleições 2014

Nordeste será foco prioritário de Dilma e Aécio no segundo turno

Folha de S.Paulo
ANDRÉIA SADI
DE BRASÍLIA
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO 

Região que costuma alavancar a votação do PT nas eleições presidenciais, o Nordeste será tratado pelas campanhas da presidente Dilma Rousseff e do tucano Aécio Neves como cenário prioritários neste segundo turno.

Dilma, que obteve 50% dos votos da região no primeiro turno, prepara uma ofensiva nesta semana para tentar ampliar a vantagem.

Editoria de Arte/Folhapress


A petista desembarca nesta quarta (8) em Teresina (PI), para um encontro com prefeitos e lideranças políticas e repete o modelo da reunião, à noite, em João Pessoa (PB).

O PT tenta acertar na Paraíba o apoio do atual governador e candidato à reeleição, Ricardo Coutinho (PSB), que disputa o comando do Estado com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB).

No primeiro turno, Coutinho apoiou Marina Silva, que deve declarar apoio ao presidenciável tucano.

Coordenadores da campanha de Dilma afirmam que obtiveram sinalizações de que o candidato do PSB na Paraíba pode abrir espaço em seu palanque para a petista.

                     ATUALIDADES 

Deputado federal mais velho tem 84 anos e o senador eleito com mais idade, 81

Deputado federal e senador mais velhos
O deputado federal mais velho a ser eleito neste ano foi Bonifácio Andrada (PMDB-MG), de 84 anos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 513 deputados federais eleitos, 302 têm entre 46 a 65 anos, o que corresponde a 58,9% do total. Apenas 44 (8,6%) têm mais de 65 anos.
Quanto aos 27 senadores eleitos, o mais velho é José Maranhão, que se elegeu pelo PMDB na Paraíba aos 81 anos. Ele é um dos oito senadores que têm mais de 65 anos, o que corresponde a 29,6% do total. A maioria (15) tem entre 46 e 65 anos. Apenas quatro têm entre 26 e 45 anos.

Cao Guimarães - Biografia

Cao Guimarães, cineasta e artista plástico, nasceu em 1965 em Belo Horizonte, onde vive e trabalha. É graduado em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e jornalismo na Pontifícia Universidade Católica - PUC, em Belo Horizonte, de 1983 a 1986. Posteriormente torna-se mestre em estudos fotográficos pela Westminster University, em Londres. Antes dedicado à fotografia, a partir dos anos 1990  produz vídeo, videoinstalações e filmes.
Em 1993, recebe o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Fundação Nacional de Arte, para desenvolvimento do ensaio fotográfico Ex-Votos, com Rivane Neuenschwander . Em 1997, participa de curso sobre cinema experimental em The National Film-Makers Cooperation, em Londres. No fim da década de 1990, passa a realizar principalmente documentários experimentais. Como cineasta e videomaker dirige os filmes Otto,Eu Sou Um Outro (1998); The Eye Land, (1999);Sopro (2000); Hypnosis (2001); Word/World (2001); Fim do Sem Fim (2001); Volta ao Mundo em Algumas Páginas (2002); A Alma do Osso (2004); Rua de Mão Dupla (2004);Da Janela do Meu Quarto (2005); Concerto para Clorofila (2005); entre outros.
Desde o fim dos anos 1980, exibe seus trabalhos em museus e galerias como Tate Modern, Guggenheim Museum, Museum of Modern Art NY, Gasworks, Frankfurten Kunstverein, Studio Guenzano, Galeria La Caja Negra e Galeria Nara Roesler. Participou de bienais como a XXV e XXVII Bienal Internacional de São Paulo e Insite Biennial 2005 (San Diego/Tijuana). Alguns de seus trabalhos foram adquiridos por coleções como Fondation Cartier Pour L’art Contemporain, Tate Modern, Walker Art Center, Guggenheim Museum, Museu de Arte Moderna de São Paulo, MoMA NY, Instituto Cultural Inhotim, entre outros.
É premiado em festivais de vídeo e de cinema nacionais e internacionais. Publica artigos, críticas de arte e contos em suplementos literários de jornais e revistas.


Instagram comemora 4 anos com retrospectiva; Confira 10 fotos com a história da rede



Nesta segunda-feira, 6, a rede social queridinha dos amantes da fotografia completa quatro anos. Fundado em outubro de 2010 pelo americano Kevin Systrom e pelo brasileiro Mike Krieger, o Instagram alcança números expressivos: são mais de 200 milhões de usuários e cerca de 60 milhões de fotos por dia.

Para celebrar a data, a rede social resumiu sua própria trajetória em dez imagens, que passam por sua criação, a chegada ao Android e a compra pelo Facebook. Confira:

1. A primeira foto foi publicada pelo fundador Kevin Systrom no dia 16 de julho de 2010, antes mesmo do lançamento oficial do app.
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2. Em seis semanas, o protótipo do aplicativo estava pronto. Os fundadores fizeram todo o trabalho, inclusive o logotipo.
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3. O primeiro espaço de trabalho da plataforma foi um escritório colaborativo em Embarcadero, na cidade de São Francisco (Califórnia - Estados Unidos).
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4. O lançamento oficial do Instagram ocorreu em 6 de outubro de 2010. O aplicativo alcançou o topo do ranking da App Store com mais de 1 milhão de usuários na primeira quinzena de dezembro.
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5. Systrom registrou a primeira vez que viu seu app sendo usado por um desconhecido quando andava no metrô. “Você sabe quem fez o meu dia? Este cara. Primeira vez que vejo uma pessoa desconhecida usando o aplicativo em público”, publicou.
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6. Com o sucesso, a equipe se mudou para um escritório em South Park Street, São Francisco.
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7. Dois anos depois do lançamento, a plataforma já tinha mais de 25 milhões de usuários. A equipe cresceu e outra vez mudou de escritório. Pela falta de mobília, o almoço era feito no chão.
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8. A entrada do Instagram no Android aconteceu em 2012 e fez com que mais usuários integrassem a rede social.
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9. Uma semana após o lançamento do app para Android, o Instagram anunciou a união com o Facebook. A foto foi feita no dia do anúncio.
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10. Em 2013, o Instagram lançou recursos, como o serviço de vídeos.
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http://portal.comunique-se.com.br/index.php/comunicacao/75342-instagram-comemora-4-anos-com-retrospectiva-confira-10-fotos-com-a-historia-da-rede

Sebastião Salgado

Sebastião Ribeiro Salgado é um fotógrafo brasileiro, nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 1944. Sebastião é formado em economia e realiza doutorados nessa área. Durante o período entre 1971 e 1973, trabalhou para a Organização Internacional do Café, em Londres. Já, quando estava em uma viagem na África, onde coordenava um projeto sobre a cultura do café em angola, Sebastião decidiu tornar-se fotógrafo. Enquanto estava em Paris, documentou perturbados acontecimentos sociais e políticos na Europa e na África. Realizou viagens pela América Latina, entre 1977 e 1984, onde documentou as condições de vida dos camponeses e dos índios, que se encontram no livro Autres Ameriques, de 1986. Trabalhou por 15 meses com o grupo francês Médicos Sem Fronteiras, percorrendo a região do Sahel, na África, e registrando a devastação causada pela seca na década de 1980. Já entre 1986 e 1992, produziu a série Trabalhadores, em que documentou o trabalho manual e as árduas condições de vida dos trabalhadores em várias regiões do mundo. Em 1994, criou sua própria empresa: a Amazonas Imagens.
Seus principais livros são:
   

1º- Other Americas (Outras Américas, 1986), que trata das condições de vida dos camponeses latino-americanos;
2º-
 Sahel: L''Homme en Detresse (Sahel: o Homem em Agonia, 1986) que aborda a seca na região africana do Sahel;
3º- Trabalhadores (1993), sobre a mudança nas relações de produção do trabalho manual;
4º- Terra (1997), que mostra a pobreza e a questão agrária no Brasil.

Sebastião ganhou os seguintes prêmios:
- Prêmio Príncipe de Asturias das Artes (1998);
- Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária;
- Prêmio World Press Photo;
- The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental;
- Eleito membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciência' nos Estados Unidos;
- Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores;
- Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos;
- Prêmio Overseas Press Oub oí America;
- Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography;
- Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil.

Seguem quinze fotografias e respectivas legendas, selecionadas do livro Terra, de autoria do internacionalmente renomado Sebastião Salgado, considerado por muitos o melhor fotógrafo documental da atualidade: 

Os Pobres Trabalhadores Da Terra


Migração Rural Para As Grandes Cidades 


Crianças Abandonadas Nas Instituições Estaduais 


A Luta Pela Terra: Crianças Às Margens Das Rodovias


A Luta Pela Terra: A Morte Espreita Eldorado De Carajás

A Luta Pela Terra: A Dor Da Mãe Do Jovem Oziel


A Luta Pela Terra: Um Massacre, Um Velório

A Luta Pela Terra: A Ocupação De Um Latifúndio

A Luta Pela Terra: O Começo De Um Acampamento
A Luta Pela Terra: O Começo De Um Acampamento

A Luta Pela Terra: A Vida Nos Assentamentos

A Luta Pela Terra: Os Ícones Da Vitória

A Luta Pela Terra: Uma Marcha Final

A Luta Pela Terra: A Marcha De Uma Coluna Humana 

A Luta Pela Terra: Uma Parada De Dor 
FOTOGRAFIA ARTÍSTICA
A fotografia artística é a arte de fotografar de maneira não convencional, em que não existe uma preocupação única de retratar a realidade. Vai além disso. O fotógrafo registra o tema de uma forma que transcende o ordinário. Coloca a sua emoção, sua expressão e a sua perspectiva do mundo na imagem que produz. Da mesma forma que um pintor, um escultor ou qualquer outro artista o faz.

Para que o fotógrafo possa pensar em imagens artísticas precisa, em primeiro lugar, se libertar da idéia de produzir fotografias em que a luz, distância focal, foco e velocidade estejam em perfeita harmonia. Logicamente, é necessário ter domínio da técnica e conhecer o convencional para ousar. A idéia é usar todos os recursos de uma forma diferente da habitual. Além da câmera e da lente, de técnicas de revelação e ampliação, o fotógrafo de hoje conta com inúmeros recursos digitais, o que favorece a criatividade. E qualquer fotógrafo pode experimentar o lado artístico da fotografia, arriscar novos caminhos.
E aí vai um conselho: não se deixe levar pelo desânimo. Esforce-se ao máximo para levar uma idéia à frente. A frustração faz parte do processo criativo.
 
FOTOGRAFIA ARTÍSTICA OU FOTOJORNALISMO 

Todos os objectos que não exigem ser experienciados esteticamente são objectos práticos, veículos de comunicação e funcionais. Para ser fotografia artística implica ser experienciada esteticamente, com olhar desprendido da intelectualidade e não emocionalmente relacionada com realidades exteriores. Sendo representação artística, pode conter aspectos práticos e de funcionalidade, mas estes são secundários. Um juizo emitido pelo vulgo ou senso comum, não é suficiente para se considerar "arte". É preciso um juizo que ultrapasse o limite da subjectividade individual. Assim sendo, o fotojornalismo será uma linguagem prática e um veículo de comunicação funcional? A resposta é sim, embora tenha de se considerar aspectos colaterais que, somados aos primeiros, fazem da fotonotícia uma composição tanto mais rica quanto maior for o número de elementos que a compõem. Mas sem desviar a atenção dos leitores daquilo que é primordial: o registo da essência da condição humana, em imagens capazes não só de informar os leitores como também de lhes trazer esclarecimentos, a nível racional. No fotojornalismo, é obrigatório algo mais: um determinado olhar pirrónico, a visão crítica do fotógrafo-jornalista e a certeza de que nem todos os acontecimentos são notícia. O fotojornalista e o fotógrafo-artista, embora lidando com géneros diferentes, têm, pelo menos, um ponto comum: ambos não deixam de pressupor um diálogo entre aquilo que representam e o observador. Tal é suficiente para se justificar uma interrelação disciplinar, porque o destinatário dos seus trabalhos é comum - o Homem.